quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Países do Hemisfério Norte superam o Brasil na produção de animais da fauna brasileira.
Por Marcelo Bortoloti
Revista Veja - 05/09/2007
Qual é o habitat de jibóias, papagaios e saguis? As selvas de clima tropical das Américas do Sul e Central seria a resposta mais correta. Esses bichos, no entanto, estão se tornando habitantes da Europa, sendo cada vez mais comum encontrá-los na Inglaterra, na Holanda e na Alemanha.
Revista Veja - 05/09/2007
Qual é o habitat de jibóias, papagaios e saguis? As selvas de clima tropical das Américas do Sul e Central seria a resposta mais correta. Esses bichos, no entanto, estão se tornando habitantes da Europa, sendo cada vez mais comum encontrá-los na Inglaterra, na Holanda e na Alemanha.
Criadouro na Espanha
Nas últimas décadas, os países do Hemisfério Norte transformaram-se em grandes criadores legais de animais de espécies originárias de locais como a Amazônia e o Pantanal. A lista inclui também as araras, os iguanas e os periquitos. O que impressiona é que a reprodução em cativeiro dessas espécies naqueles países já é maior do que no Brasil. Inglaterra, com temperatura média de 5 graus nos meses de inverno, produz e exporta legalmente quase dez vezes mais saguis do que o Brasil. A Holanda tornou-se a terra dos papagaios, e de lá saem legalmente vinte vezes mais desses bichos do que do Brasil.
Os animais da fauna brasileira engordam o mercado mundial de pets, que movimenta 56 bilhões de dólares por ano - mas quem lucra com isso são os criadores europeus e americanos.
Os animais da fauna brasileira engordam o mercado mundial de pets, que movimenta 56 bilhões de dólares por ano - mas quem lucra com isso são os criadores europeus e americanos.
O que está por trás do desenvolvimento dessas criações é um avanço tecnológico notável. Foi possível produzir animais exóticos em larga escala no Hemisfério Norte após anos de estudos sobre como esses bichos se alimentam, se reproduzem e quais a temperatura e o tamanho ideal de viveiro para cada espécie.
No caso de araras e papagaios, uma das principais revoluções foi a produção em laboratório de um tipo de secreção normalmente expelida pelas aves adultas, que serve de alimento aos filhotes nos primeiros quatro dias de vida.
Com isso, além de se fazer a incubação artificial, tornou-se possível alimentar os filhotes artificialmente. Os cativeiros hoje são gerenciados por computador e têm aparelhos como raio X e ultra-som para acompanhar a gestação. Isso tudo permitiu um ganho de escala que ajudou a reduzir os preços.
Nos últimos dez anos, os criadores profissionais começaram a oferecer espécies legalizadas a preços competitivos, mais saudáveis e mais dóceis do que as que são encontradas livres na natureza.
Hoje, enquanto no Brasil uma jibóia custa 900 reais no mercado legal, lá fora o mesmo bicho é vendido pelo equivalente a 60 reais. Um iguana legalizado custa 1.200 reais no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o preço é de aproximadamente 80 reais.
O mercado de aves de companhia cresceu muito na Europa, hoje um grande produtor. Os grandes criatórios estão na Holanda, na Alemanha e na Áustria. "É mais fácil arrumar um papagaio ou uma arara aqui na Europa do que mandá-los vir do Brasil", disse a VEJA Pedro Oliveira, criador de aves tropicais na cidade do Porto, em Portugal.
No caso de araras e papagaios, uma das principais revoluções foi a produção em laboratório de um tipo de secreção normalmente expelida pelas aves adultas, que serve de alimento aos filhotes nos primeiros quatro dias de vida.
Com isso, além de se fazer a incubação artificial, tornou-se possível alimentar os filhotes artificialmente. Os cativeiros hoje são gerenciados por computador e têm aparelhos como raio X e ultra-som para acompanhar a gestação. Isso tudo permitiu um ganho de escala que ajudou a reduzir os preços.
Nos últimos dez anos, os criadores profissionais começaram a oferecer espécies legalizadas a preços competitivos, mais saudáveis e mais dóceis do que as que são encontradas livres na natureza.
Hoje, enquanto no Brasil uma jibóia custa 900 reais no mercado legal, lá fora o mesmo bicho é vendido pelo equivalente a 60 reais. Um iguana legalizado custa 1.200 reais no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o preço é de aproximadamente 80 reais.
O mercado de aves de companhia cresceu muito na Europa, hoje um grande produtor. Os grandes criatórios estão na Holanda, na Alemanha e na Áustria. "É mais fácil arrumar um papagaio ou uma arara aqui na Europa do que mandá-los vir do Brasil", disse a VEJA Pedro Oliveira, criador de aves tropicais na cidade do Porto, em Portugal.
Não são apenas os produtores que lucram com esse mercado. Há uma indústria de acessórios que permite a qualquer morador da Suécia, por exemplo, criar uma arara ou um papagaio como se estivesse em plena Amazônia.
No caso das aves, existem gaiolas climatizadas e uma série de vitaminas, substratos e rações compatíveis com o padrão alimentar de cada espécie. Para os répteis, é possível comprar ambientes artificiais com pedras aquecidas e plataformas vibratórias para dar a impressão de que a comida está andando.
Lojas especializadas vendem camundongos para alimentar cobras, além de grilos, baratas e larvas de besouro para as aves. A Fluker's Crickets Farm, nos Estados Unidos, comercializa em média 20 milhões de grilos vivos por mês e faz entregas até pelo correio.
As lojas de animais de estimação americanas, além de uma enorme variedade de répteis, mamíferos e aves do mundo inteiro, oferecem espécies trabalhadas geneticamente para sofrer mutações que as tornam mais atraentes. Um exemplo é o peixe-neon, originário do Brasil. Lá fora, ele é produzido em cores diferentes das encontradas na natureza ou com as nadadeiras bem maiores.
No caso das aves, existem gaiolas climatizadas e uma série de vitaminas, substratos e rações compatíveis com o padrão alimentar de cada espécie. Para os répteis, é possível comprar ambientes artificiais com pedras aquecidas e plataformas vibratórias para dar a impressão de que a comida está andando.
Lojas especializadas vendem camundongos para alimentar cobras, além de grilos, baratas e larvas de besouro para as aves. A Fluker's Crickets Farm, nos Estados Unidos, comercializa em média 20 milhões de grilos vivos por mês e faz entregas até pelo correio.
As lojas de animais de estimação americanas, além de uma enorme variedade de répteis, mamíferos e aves do mundo inteiro, oferecem espécies trabalhadas geneticamente para sofrer mutações que as tornam mais atraentes. Um exemplo é o peixe-neon, originário do Brasil. Lá fora, ele é produzido em cores diferentes das encontradas na natureza ou com as nadadeiras bem maiores.
Essas variedades abastecem um mercado fabuloso. Nos EUA, 71 milhões de lares possuem animais de estimação. No Brasil, a legislação permite a criação de animais silvestres em cativeiro. Faltam criadores bem preparados. "A cadeia de produção nacional não tem logística nem produção em série para abastecer o mercado. Faltam qualidade e quantidade", diz Francisco Tavares, da diretoria de fauna do Ibama.
Não existe por aqui nada parecido com o que há lá fora. Oitocentos e cinqüenta produtores comerciais estão cadastrados no Ibama. E muitos usam a criação como fachada para "esquentar" os animais. Ou seja, retiram os bichos da fauna silvestre e os registram como se tivessem nascido em cativeiro. Com isso, eles podem ser comercializados legalmente.
Não existe por aqui nada parecido com o que há lá fora. Oitocentos e cinqüenta produtores comerciais estão cadastrados no Ibama. E muitos usam a criação como fachada para "esquentar" os animais. Ou seja, retiram os bichos da fauna silvestre e os registram como se tivessem nascido em cativeiro. Com isso, eles podem ser comercializados legalmente.
Também não existe tecnologia nacional para esse tipo de produção. "Mesmo para criarmos espécies nacionais, temos de importar tecnologia da Europa", diz Paulo Machado, diretor da Aves Vale Verde, que tem 800 pássaros para reprodução.
O Brasil ainda está engatinhando na criação de animais silvestres para comercialização.
Animais capturados nas matas brasileiras são levados para o Hemisfério Norte desde a época do descobrimento. A prática só virou crime em 1967, com a criação da Lei de Proteção à Fauna.
Mesmo assim, traficantes de animais continuam enviando ilegalmente à Europa e aos Estados Unidos milhares de araras, jibóias, papagaios e saguis. Hoje, o tráfico de animais silvestres movimenta 20 bilhões de dólares por ano no mundo todo. Por isso mesmo, a produção em cativeiro é uma fonte alternativa, que ajuda a atender à demanda.
Desde 1975, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres (Cites, da sigla em inglês) controla a exportação de animais em 172 países. Segundo a instituição, cerca de 270.000 bichos vivos são comercializados legalmente todos os anos. O dado não inclui o que é vendido internamente em cada país.
Nem as exportações entre os países da União Européia. A produção pode ser, portanto, muito maior. A continuar assim, não está distante o dia em que a maior parte dos papagaios do planeta vai falar mais inglês do que português.
O Brasil ainda está engatinhando na criação de animais silvestres para comercialização.
Animais capturados nas matas brasileiras são levados para o Hemisfério Norte desde a época do descobrimento. A prática só virou crime em 1967, com a criação da Lei de Proteção à Fauna.
Mesmo assim, traficantes de animais continuam enviando ilegalmente à Europa e aos Estados Unidos milhares de araras, jibóias, papagaios e saguis. Hoje, o tráfico de animais silvestres movimenta 20 bilhões de dólares por ano no mundo todo. Por isso mesmo, a produção em cativeiro é uma fonte alternativa, que ajuda a atender à demanda.
Desde 1975, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres (Cites, da sigla em inglês) controla a exportação de animais em 172 países. Segundo a instituição, cerca de 270.000 bichos vivos são comercializados legalmente todos os anos. O dado não inclui o que é vendido internamente em cada país.
Nem as exportações entre os países da União Européia. A produção pode ser, portanto, muito maior. A continuar assim, não está distante o dia em que a maior parte dos papagaios do planeta vai falar mais inglês do que português.
FAUNA GLOBALIZADA
A produção de animais da fauna brasileira em cativeiros avança de tal forma que, entre 2000 e 2006, a Holanda exportou vinte vezes mais papagaios que o Brasil. Observe a comparação entre exportações brasileiras e de alguns dos maiores produtores do mundo, em seis anos, em espécies comercializadas.
Araras
Estados Unidos: 683
Brasil: 52
Papagaios
Holanda: 2213
Brasil:100
Sagüis
Inglaterra:520
Brasil: 61
Jibóias
Repúlica Checa: 12531
Brasil: 6
Iguanas
Estados Unidos: 13456
Estados Unidos: 683
Brasil: 52
Papagaios
Holanda: 2213
Brasil:100
Sagüis
Inglaterra:520
Brasil: 61
Jibóias
Repúlica Checa: 12531
Brasil: 6
Iguanas
Estados Unidos: 13456
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
IBAMA. Autarquia ou ONG?
(Texto distribuído aos presentes na reunião realizada No Distrito Federal entre passarinheiros e parlamentares no Clube SEDESO de Sobradinho, contando com a presença de 2 senadores 2 deputados e mais de 300 criadores)
O esforço preservacionista recorre sistematicamente à reprodução em cativeiro para evitar a extinção das espécies. Colhemos exemplos bem-sucedidos pelo mundo todo. O moderno zoológico de Hellabrunn, em Munique, na Alemanha, é um dos mais interessantes projetos de recuperação e criação de espécies em perigo. Com investimentos da ordem de milhões de dólares já conseguiu, por exemplo, garantir a sobrevivência do przewalski, uma sub-espécie de cavalos selvagens originários da Mongólia descobertos por volta de 1870 por um explorador russo. A China, com modernas técnicas de inseminação artificial, salvou o panda gigante da extinção.
A demanda do mercado internacional por animais de estimação elevou o tráfico de espécimes coletados na natureza à condição de terceira maior atividade de contrabando no mundo, perdendo apenas para as drogas e para o armamento. Estima-se que o Brasil participe desse mercado com até 38 milhões de espécimes coletados na natureza anualmente (dados extraídos do site do IBAMA).
O mercado interno ilegal também contabiliza números expressivos. Dez milhões de brasileiros mantêm cativos, ao menos, um animal de nossa fauna nativa. Apenas em feiras da cidade do Rio de Janeiro são comercializados 8 mil espécimes a cada final de semana. A pressão da caça predatória torna-se demasiada sobre a nossa fauna nativa, que já dá sinais de esgotamento eminente.
O maior instrumento para a reversão desse quadro, a Lei nº 9.605, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, sancionada, com grande espalhafato, em 12 de Fevereiro de 1998, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mostrou-se um enorme engodo. Somente os fiscais do IBAMA lavraram em 2007, 5.633 autos de infração, referentes a fauna silvestre, sem que um único infrator tenha ficado preso. Os milhões de dólares movimentados pelo mercado ilegal encontram oposição em penas que vão do pagamento de cestas básicas à prestação de algumas horas de trabalho comunitário.
Caçar e traficar espécimes de nossa fauna nativa é um crime que compensa.
Se a Lei de Crimes Ambientais mostrou-se branda na prática, o conjunto de Portarias e Instruções Normativas publicado pelo IBAMA para regulamentar a manutenção, a reprodução em cativeiro e a comercialização de animais de nossa fauna silvestre torna-se cada vez mais restritivo.
Cerca de 200 mil criadores estão cadastrados no SISPASS. Esses criadores detêm a posse de pouco mais de dois milhões de pássaros, dos quais 35% são curiós e bicudos, praticamente extintos na natureza.
Em 1988, a Portaria n° 131 restringiu a possibilidade de criação pelo seguimento amadorista apenas aos passeriformes. A portaria n° 631, de 18 de março de 1991, limitou a possibilidade de criação a 316 espécies. A publicação da Instrução Normativa n° 01, em 24 de Janeiro de 2003, reduziu para 151 o número de espécies que podem ser mantidas por criadores amadoristas.
O principal argumento para as restrições cada vez maiores da atividade de manutenção e reprodução de nossos pássaros em ambiente doméstico é a possibilidade das anilhas, fornecidas pelo IBAMA aos criadores legais, irem parar nas mãos de caçadores e traficantes, que poderiam emprega-las em aves capturadas da natureza.
Não é necessário ser um grande matemático para perceber que os 2 milhões de pássaros que são mantidos pelos criadores registrados têm pequena representatividade em um universo de 38 milhões de animais retirados da natureza anualmente. Para o mercado clandestino, a existência ou não de anilha de identificação não faz grande diferença.
Se as anilhas distribuídas podem ser adulteradas e empregadas na identificação de pássaros coletados na natureza, deve-se também à falta de qualidade no material com que são confeccionadas. O custo das anilhas distribuídas é totalmente repassado para os interessados, sem qualquer ônus para o Estado. Se fossem confeccionadas em aço inoxidável ou porcelana, dificultariam as adulterações. Grande parte dos criatórios comerciais, aos quais é concedido o direito de aquisição de anilhas diretamente dos fabricantes, já emprega anilhas de aço. Nesse descaso, o IBAMA poderá ser acusado de conivência.
Uma política que não estimula a atividade de reprodução em cativeiro é a negação do compromisso assumido pelo Brasil na Convenção sobre Diversidade Biológica da CNUMAD (Rio 92) e dos princípios e diretrizes de Addis Abeba para o uso sustentável da biodiversidade, onde foi consenso entre todos os representantes de mais de 150 nações que a reprodução ex-situ de animais das faunas silvestres em criatórios legalizados se configura em importante instrumento para a garantia de preservação das espécies e para a diminuição da captura e tráfico de animais silvestres.
A situação atual é gravíssima. Um relatório da União pela Preservação da Natureza (IUCN), publicado pela BBC de Londres, junta o Brasil à Austrália, México, China e Indonésia em um grupo dos cinco países com maior número de espécies ameaçadas de extinção. Também reúne o Brasil à China, Índia, Equador e República dos Camarões como exemplos de falta de investimentos na preservação.
Temos uma centena de espécies de aves em risco de extinção. O Decreto 42.838, de 04 de fevereiro de 1998, do governo de São Paulo, publicou uma lista oficial com 21 espécies de aves extintas em seu território e com outras 46 em risco crítico de extinção. De 1998 até hoje, a única coisa que mudou no meio ambiente do estado foi o aumento da área plantada com cana-de-açúcar.
Necessitamos de todos os elementos na luta pela preservação. A sociedade precisa compreender a importância do trabalho dos que se dedicam à reprodução dos pássaros de nossa fauna em ambiente doméstico, dissociando-os dos que a agridem. A reprodução de espécimes em ambiente doméstico há varias gerações vem diminuindo a pressão da caça predatória sobre a natureza. Muitas espécies poderão ser preservadas dessa forma.
Uma corrente filosófica contrária à manutenção e à reprodução em ambiente doméstico de espécies de nossa fauna nativa vem ganhando corpo dentro dos quadros do IBAMA, defendendo conceitos preservacionistas da década de 1980, quando ainda não estava na pauta das discussões internacionais a proposta de uso sustentável da fauna nativa. Essa corrente ganhou força no IBAMA durante o período em que a senadora Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, com uma proposta preservacionista radical e de implementação completamente fora da realidade. Era a política ultra-radical do não para tudo.< /span>
É perfeitamente aceitável que qualquer funcionário do IBAMA defenda seu ponto vista pessoal sobre qualquer aspecto da política preservacionista. Não é aceitável, no entanto, que o IBAMA implemente normatização que vá de encontro aos compromissos assumidos pelo Estado com a Comunidade Internacional. Não é aceitável que o IBAMA publique normatização ao arrepio da legislação vigente no Pais. Não é aceitável que funcionários do IBAMA efetuem militância na defesa de seus pontos de vista pessoais valendo-se das suas prerrogativas funcionais. Não é aceitável que o IBAMA invista recursos públicos em campanhas publicitárias que levam a população a confundir o criador legalizado com o traficante de pássaros.
O IBAMA é o principal instrumento do governo para implementação da política preservacionista determinada pelo Protocolo de Kyoto, do qual o Brasil é signatário, promovendo o uso sustentável de nossa fauna nativa.
Encarregado de normatizar procedimentos que facilitem o registro e o controle da reprodução ex-situ de silvestres o IBAMA agigantou-se, extrapolou sua esfera de atribuições e vem publicando, sistematicamente, novas Instruções Normativas, sem compromisso com a política ambiental de fomento ao uso sustentável dos recursos naturais, com a qual o Brasil está comprometido junto a comunidade mundial. As suas normativas negam o princípio do direito adquirido e de outros direitos concedidos pela legislação vigente. Ferem princípios de direito à posse e a propriedade, garantidos pelo Código Civil. O IBAMA demonstra ter se esquecido de que mudanças mais profundas devem ser submetidas ao Poder Legislativo, onde a sociedade será ouvida através de seus representantes no Congresso Nacional. Esse é um pressuposto básico do regime democrático.
Clóvis Pereira Neves
Criador amadorista de pássaros
Criador amadorista de pássaros
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Artigo Sobre Mutações Marrons nos CTs na Passarinheiros e Cia
Salvem Amigos Canaristas;
Dando continuidade a nossa série de artigos sobre mutações de CTs na revista Passarinheiros&Cia, escrvemos um texto sobre as mutações Marrons. Nele apresentamos as genéticas das duas mutações já conhecidas e comentamos as duas outras cores ainda não bem determinadas. Apresentamos a sugestão de separação das nomenclaturas dos marrons dominantes e dos marrons sexo-ligados recessivos como Castanho e canela respectivamente. Apresentamos as formas de cruzamentos e genéticas de cada uma das mutações, bem como as explicações sobre a forma de geração de indivíduos desta mutação a partir de um reprodutor mutado.
O artigo deverá sair na revista de número 60, o próximo número a sair da editora.
Saudações Canaristas
Fabio Paiva
domingo, 5 de setembro de 2010
Serie de artigos sobre Mutações de CTs na revista Passarinheiros&Cia
Salvem Amigos Canaristas;
Estamos escrevendo uma série de 8 Artigos para a revista Passarinheiros&Cia sobre as mutações de CTs. Desta forma reunido aos compromissos normais de trabalho e família, mais a criação que está na importante fase de preparação para as ninhadas, estamos com pouco tempo para postar aqui no blog. Desta forma nos desculpamos com nossos seguidores e leitores.
Assim indicamos a todos a leitura desta série de artigos onde buscamos situar os leitores no cenário atual das mutações comentando o que foi identificado até hoje, como efetuar os cruzamentos das mutações e chegar as cores que hoje existem e onde ainda restam dúvidas.
Boa leitura a Todos;
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
As Mutações Marrons nos CTs II
Salvem Amigos Canaristas;
A idéia de chamar os Canelas dominantes de CANELAS e os Canelas sexo-ligados de ISABELINOS gerou frutos e decidimos alterar a proposta passando a chamar os canelas dominantes de MARRONS e os sexo-ligados de CANELAS. A nossa proposta com este Blog é sempre o debate entre criadores e interessados em mutações. Não estamos aqui com idéias fechadas e nem com a proposta de enfiar goela abaixo nenhuma nomenclatura. Com isto após postarmos o texto sobre a proposta para as mutações Marrons de CTs, alguns amigos entraram em contato e após avaliar fotos e pensamentos de amigos. Verificamos a existência de uma cor realmente diferente que está sendo chamada as vezes de Isabelino e as vezes de Pastel, inclusive parece que nascem Pasteis destes Isabelinos ao cruzar com normais sem nenhuma mutação. É uma cor diferente e que merece avaliação. O colega Raul, do Criatório Guyrajúba, cruzou um macho destes Isabelinos com uma fêmea normal e saíram 6 filhotes todos com a aparência dos Marrons Dominantes.
Fig 1 - Fêmea Marrom (canela dominante)
Pensamos que poderiam estes ISABELINOS, não serem realmente uma mutação independente, mas sim uma combinação das mutações MARROM e CANELA no mesmo pássaro. Outra possibilidade, que explicaria o nascimento de 6 filhotes todos semelhantes a mutação dominante que chamamos de MARROM, é dos ISABELINOS/PASTEIS serem a forma duplo fator da mutação dominante Marrom. E assim esta seria semelhante a Opalina e não teria dominância completa, seria co-dominante. Mas poderia ainda ser as duas coisas, ou seja ser a combinação de Canela com o duplo fator do Marrom dominante. Enfim a cor existe está lá e ninguém tem muita certeza ainda de como ela aparece.Assim após refletir um pouco, resolvemos propor outra coisa a respeito dos dois canelas e adotar o mesmo em nossos artigos e descrições. Passaremos a chamar os Canelas dominantes de MARRONS e os sexos-ligados continuarão sendo chamados de CANELAS.
Com isso daremos espaço para que esta cor que por vezes parece ISABELINA, as vezes parece PASTEL se desenvolva e possa mostrar se realmente é uma mutação. Qual a sua transmissão genética, e com isso como podemos produzi-la controladamente.
Vamos em frente, sempre criando e evoluindo em conhecimento.
Saudações Canaristas
Fabio Paiva
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Uma necessária definição para as Mutações Marrons nos CTs
Salvem Amigos Canaristas;
O assunto Mutações de Canários-da-terra gera quase tanta polêmica quanto o assunto distribuição de anéis do IBAMA. Mas neste campo, o das mutações, nós podemos atuar mais claramente e mudar facilmente o que acontece. Nossas discussões não nos deixam indignados e com a sensação de “moscas sem asas”, elas ultrapassam as janelas de nossas casas.
Ficamos felizes nestes últimos dias, pois conseguimos elucidar um problema que seguidamente nos tirava o sono. Há algum tempo venho me preocupando com a existência de duas mutações diferentes que vem sendo chamadas de Canelas pelos criadores. Isto me causa muito desconforto pela confusão gerada na comunicação entre os criadores de diversas partes do país. Tentei descobrir um novo nome para a mutação Canela Dominante algumas vezes. Mas as minhas propostas não convenciam nem a mim mesmo. Já havíamos pensado em chamar o Canela dominante de Moka, tal qual a cor semelhante que existe nos Manons Japoneses (Lonchura striatta Dom.). Talvez ainda Café, Nougat ou Marrom mas não achávamos correto usar esse nomes incomuns nas listas de cores de pássaros. Chamei de Pastel, mas Pastel é outra cor. Chamei de Ágata, mas alem de possuir muito marrom para tal nome, ao que parece já surgiu no Criadouro Monte Alvão, do Paulo Rômulo, uma outra mutação diferente com as características de uma mutação Ágata.
Entretanto há alguns dias, numas conversas com Árbitros FOB de outros segmentos me iluminaram com uma idéia simples mas direta no ponto. Um árbitro FOB de Canários de Cor me perguntou:
- Vocês tem duas mutações marrons sendo chamadas de canela, certo?
Eu respondi: Certo!
- Uma é mais clara e a outra mais escura, certo?
Eu respondi: Certo!
Ao que ele concluiu com simplicidade:
- Então vocês não têm duas mutações Canela, mas sim Uma mutação Canela e Uma mutação Isabelino.
A resposta dele foi como um tijolo caindo na minha cabeça. Como eu ainda não havía pensado nisso. Estava sempre na tentativa de mudar o nome do Canela Dominante, por que veio depois e é mais marrom escuro e etc.., não me dei conta que o certo era mudar o nome do mais claro. Apesar de alguns problemas que poderiam surgir, pois alguns criadores estão acostumados com a idéia CANELA=SEXO-LIGADO, acho que esta é a melhor opção.
Assim, fazendo um TURN-TO-MIND, proponho que passemos a chamar o Canela sexo-ligado de ISABELINO. A esta proposta alguns ainda podem comentar:
- O Manual COBRAP já define uma cor como ISABELINO.
Melhor ainda, pois o manual define a cor, mas não define como chegar nela. O que é considerado por muitos, nos quais me incluo, a grande deficiência deste Manual. Agora com esta modificação na forma que denominamos as mutações marrons já sabemos como chegar nela. Inclusive podemos compreender como selecionar as cores do Manual COBRAP.
Nos pássaros da mutação dominante, CANELA, selecionaremos os mais marrons, mais escuros, cor de casca de canela. Enquanto nos pássaros da mutação sexo-ligada, ISABELINOS, selecionaremos os mais claros, bege claro. Mais ainda para colaborar com a idéia da mudança de nome, podemos dizer que todos os chamados Isabelinos que vimos até hoje eram nascidos em plantéis de Canela sexo-ligado. O mesmo serve para a cor Pastel. Inclusive, o Paulo Rômulo, que é o maior criador destas mutações, também me comentou que ambas as cores surgem em planteis de canelas sexo-ligado e são segundo o seu entendimento, são melhor “selecionadas” a partir da mutação Canela sexo-ligado.
Assim para o bom entendimento das mutações, passaremos a chamar:
- A mutação Marrom Dominante devido ao seu tom marrom escuro de CANELA.
- A mutação Marrom Sexo-ligada devido ao seu tom claro de ISABELINA.
Alem do tom claro, a mutação Isabelino nos permite gerar indivíduos quase sem desenho o que é uma característica comum a todas as mutações Isabelino nas outras espécies de pássaros.
Isso vai acabar com os problemas como o que ocorreu com um amigo meu. Ele comprou um casal de canelas e após os primeiros filhotes veio me cobrar:
- Tu havia me dito que de dois canelas não podem nascer comuns e lá em casa nasceram vários filhotes comuns de um casal de canelas.
Perguntei a ele se um era bem escuro e outro bem claro, ao qual ele respondeu que sim. Expliquei então a situação das duas mutações marrons chamadas de canelas pelos criadores e ele ficou um pouco confuso mas se resignou. Questionou é claro porque o criador vendeu a ele dizendo que ambos eram canelas se eram de mutações diferentes. Estas são as confusões e “misturanças” que mais queremos evitar e que aliadas a outras causaram um descrédito geral na criação das mutações de CTs.
Agora isto posto, posso dizer a ele:
- Tu não tens um casal de canelas! Tu tens um casal formado por um Isabelino e um Canela! São duas mutações diferentes!
Brincadeiras a parte, nós vamos andando, sempre em frente, como diz o Mestre Aloísio.
Saudações canaristas.
Fabio Paiva
sábado, 10 de julho de 2010
A escolha da caixa de reprodução certa para as canárias
Salvem Amigos;
Ano passado tive alguns problemas com as caixas de reprodução que usei. Encomentei caixas de uma peça com as medidas sugeridas pelo Site do Criadouro Bocaina e as fêmeas não se acertaram com as caixas. Mudei para as tradicionais caixas quarto e sala, porém as fêmeas que tinha não gostaram do quarto e fizeram o ninho na sala. Não sei se tem a ver com a alta temperatura da minha sala de cria. Para as outras fêmeas que adquiri no fim da temporada usei as caixas de todos os jeitos e verifiquei que o padrão uma peça é o preferido pela maioria das fêmeas. Além de ser mais leve e mais de acordo com o tamanho das minhas gaiolas. Assim adotei as caixas "quarto único". Consegui no formato ideal na Agropecúaria Recanto Gaúcho em São Leopoldo,RS telefone (51-3575.2735) por R$ 15,00. Baseada em uma caixa desenvolvida para um criador de exóticos é igual as que são vendidas em varios sites pela internet, porém em chapa de madeira compensada de 3mm em vez de Fórmica branca e envernizadas apenas por fora. A grade anti-fugas é em fibra em vez de arames o que deixa a caixa muito leve. O furo grande, com 5cm de diâmetro, e situado no meio da caixa também me parece ser da preferência das fêmeas. Furos situados muito alto fazem com que a fêmea "caia" sobre os ovos ao entrar, aparentemente elas preferem caixas com menor altura entre o furo de entrada e o fundo do ninho. No entanto precisa ter uma altura suficiente para a fêmea não levar junto os ovos ao sair do ninho.
Ano passado tive alguns problemas com as caixas de reprodução que usei. Encomentei caixas de uma peça com as medidas sugeridas pelo Site do Criadouro Bocaina e as fêmeas não se acertaram com as caixas. Mudei para as tradicionais caixas quarto e sala, porém as fêmeas que tinha não gostaram do quarto e fizeram o ninho na sala. Não sei se tem a ver com a alta temperatura da minha sala de cria. Para as outras fêmeas que adquiri no fim da temporada usei as caixas de todos os jeitos e verifiquei que o padrão uma peça é o preferido pela maioria das fêmeas. Além de ser mais leve e mais de acordo com o tamanho das minhas gaiolas. Assim adotei as caixas "quarto único". Consegui no formato ideal na Agropecúaria Recanto Gaúcho em São Leopoldo,RS telefone (51-3575.2735) por R$ 15,00. Baseada em uma caixa desenvolvida para um criador de exóticos é igual as que são vendidas em varios sites pela internet, porém em chapa de madeira compensada de 3mm em vez de Fórmica branca e envernizadas apenas por fora. A grade anti-fugas é em fibra em vez de arames o que deixa a caixa muito leve. O furo grande, com 5cm de diâmetro, e situado no meio da caixa também me parece ser da preferência das fêmeas. Furos situados muito alto fazem com que a fêmea "caia" sobre os ovos ao entrar, aparentemente elas preferem caixas com menor altura entre o furo de entrada e o fundo do ninho. No entanto precisa ter uma altura suficiente para a fêmea não levar junto os ovos ao sair do ninho.
Frente da Caixa: 13cm de largura por 15cm de altura
Lateral com a tampa aberta: Altura da Frente15cm, Altura do fundo e largura 13cm
Caixa Vista de cima com visao da tampa de madeira e a grade de fibra para proteção contra fugas, ambas abertas.
Na avaliação de custo benefício a caixinha se sai bem, apesar de um pouco mais cara que as que encontramos na internet. Para os moradores da Grande Porto Alegre, o fato de buscar diretamente na loja situada no Bairro Feitoria em São Leopoldo, sem pagar frete, e o peso total da caixa bem menor podem ser considerados grandes vantagens. Para os criadores de outras regiões deixo as fotos acima como sugestão para a construção de suas caixas.
Espero ter ajudado a todos na nossa constante busca da melhor forma de criar nossos canários. Melhor e mais simples.
Saudações Canaristas
Fabio Paiva
sábado, 3 de julho de 2010
PF termina com a maior quadrilha de tráfico internacional de aves do Brasil
Salvem Amigos;
Casualmente logo após postarmos o texto sobre necessidade de regulamentação da criação de exóticos não domésticos, a Polícia Federal prendeu varios criadores envolvidos no tráfico destas espécies. Eles traziam ovos do exterior(exóticos) e levavam ovos e aves brasileiras.
Lamentável saber da atuação de criadores nesta quadrilha, e pelo visto haviam compradores dentre criadores conhecidos do Brasil. Segundo a PF eles serão enquadrados como receptadores de tráfico.
Assim como sempre afirmamos para os nativos, os tempos mudaram é hora de praticarmos a responsabilidade ambiental. Responsabilidade tanto com nossas aves quanto com as dos outros países.
Vejam a versão mais completa da noticia.
http://www.apromac.org.br/20100701.htm
Saudações canaristas
Fábio Paiva
Casualmente logo após postarmos o texto sobre necessidade de regulamentação da criação de exóticos não domésticos, a Polícia Federal prendeu varios criadores envolvidos no tráfico destas espécies. Eles traziam ovos do exterior(exóticos) e levavam ovos e aves brasileiras.
Lamentável saber da atuação de criadores nesta quadrilha, e pelo visto haviam compradores dentre criadores conhecidos do Brasil. Segundo a PF eles serão enquadrados como receptadores de tráfico.
Assim como sempre afirmamos para os nativos, os tempos mudaram é hora de praticarmos a responsabilidade ambiental. Responsabilidade tanto com nossas aves quanto com as dos outros países.
Colete usado para o tráfico de ovos, aprendido no aeroporto de Guarulhos
Como afirmamos em nossa postagem anterior: Só porque é exótico não significa que é domestico e nem que não é trafico.Vejam a versão mais completa da noticia.
http://www.apromac.org.br/20100701.htm
Saudações canaristas
Fábio Paiva
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A Necessária Regulamentação da Criação de Exóticos Não Domésticos no Brasil.
Salvem Amigos Canaristas;
Vou sair um pouco do nosso foco principal neste blog para falar de um assunto que tem surgido em vários grupos de discussão e tenho visto que a maioria das pessoas não entende o porquê das atuações do IBAMA em vista a pássaros não nativos.
Falo do problema dos chamados “exóticos não domésticos”, termo e categoria criada pela IN IBAMA 102/98 e utilizando a lista de domésticos publicada na IN IBAMA 93/98. Tínhamos uma situação muito confortável onde não importava de onde e como chegassem os exóticos no Brasil, eram considerados automaticamente como domésticos e não precisavam de regulamentação da criação pelo IBAMA. Praticávamos uma forma de “cegueira seletiva”, ou seja se o TRÁFICO não era em nosso quintal, fingímos que estes pássaros não eram do tráfico. (veja o video no link com alguns agapornis e outras aves capturadas e disponiveis em um comerciante africano e outro em Denpasar na Indonesia)
http://www.youtube.com/watch?v=33P60kLKF2o
http://www.youtube.com/watch?v=vUn5taWTsAE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=33P60kLKF2o
http://www.youtube.com/watch?v=vUn5taWTsAE&feature=related
Bom estes tempos agora acabaram, o Brasil se tornou signatário da CITES. Após isto os ambientalistas e a própria sociedade civil brasileira, começaram a pressionar tanto pelo fim do tráfico como pelo risco de introdução de uma espécie exótica lesiva ao ambiente brasileiro. Surgiu assim a necessidade de regulamentar a criação dos exóticos não domésticos. A mola propulsora foram os criatórios de Javalis que começaram a surgir no Sul e Sudeste do Brasil, por isso a 102/98 é chamada “Portaria dos Javalis”.
Traduzindo a abreviação CITES que significa Convenção Internacional de Comércio de Espécies. O principio desta convenção e o da RECIPROCIDADE. Este princípio dita que se o Brasil deseja que as Filipinas, ou o Qtar, paises signatários que juntos reúnem o maior plantel em cativeiro de Ararinhas Azuis reproduzindo, regulem e controlem a criação e comercio de Ararinhas, Deve se comprometer a controlar a criação e comércio de periquitos das Filipinas, como por exemplo o endêmico Periquito Loriculus philippensis no Brasil .
Tirando os desvios políticos internacionais destes acordos a coisa funciona de forma simples. Existem critérios internacionais determinar que espécies podem ser comercializadas livremente e quais não. Espécies constantes nos anexos CITES I e II, precisam ter seu comercio controlado pelos países signatários. Na nossa realidade nacional podemos imaginar que um calafate (Lonchura oryzivora- CITES II) ou um Agapornis nigrigenis (todos os Psitacidae, exceto os do apêndice I e Agapornis roseicollis, Melopsittacus undulatus, Nymphicus hollandicus e Psittacula krameri são CITES II) são animais domésticos e não entender o porque da necessidade de regular a criação. Entretanto estas duas aves estão nos apêndices CITES e são aves vulneráveis no seu ambiente natural e se não controlado o comércio poderão entrar em extinção nos seus paises de origem. Existe também a necessidade de regulação do comércio no Brasil para impedir que um possível comércio ilegal ocorra com o país de origem ou com outro pais qualquer que receba o fruto do tráfico.
Regular o comercio não significa apenas regulamentar a importação e exportação. Significa também não permitir o livre transito e comércio de animais destas espécies dentro das fronteiras do país sem o devido controle da origem e destino. Isto significa controlar a criação nos mesmos moldes da criação de nativos brasileiros. A lista de domésticos é uma das formas de determinar os animais livres de controle. O problema que enfrentamos no Brasil é a manutenção desta lista de domésticos, tendo em vista a inexplicável ausência da lista de domésticos do Agapornis roseicolis e do Psitaculla krameri que não constam em nenhum apêndice da CITES e ainda mais grave foram excluídos propositalmente do CITES.
Somado a isto temos a viabilização da criação das espécies controladas, mesmo constantes no apêndice II, de forma amadora e não apenas comercial. Uma solução viável seria a criação de uma categoria de criador amados de exóticos não domésticos, aos moldes dos Amadoristas de Passeriformes Nativos. Criar uma copia do SISPASS com uma base apenas de exóticos. Isto permitiria facilmente ao IBAMA regular esta criação.
Não há mais espaço para sermos criadores de aves, sejam nativas ou exóticas, proclamar que adoramos a natureza e ao mesmo tempo ser ECOLOGICAMENTE INCORRETOS. Precisamos sim viabilizar a criação amadora destes exóticos não domésticos de uma forma regulamentada, controlada e garantindo a origem e destino das aves criadas para com isto combater o tráfico internacional.
Saudações Canaristas
Fabio Paiva
ANEXO - Explicando os apêndices da CITES,
veja um documento com os apêndices na nossa Área de download de documentos
Apêndices I e II
- O apêndice I contem os animais ameaçados de extinção. As transações comerciais entre animais destas espécies deve ser .feita apenas em circunstancias especiais.
- O apêndice II inclui espécies não necessariamente ameaçadas de extinção, porem espécies que devem ter seu comercio controlado para evitar uma exploração incompatível com a sua sobrevivência.
- A Conferência das Partes (CoP), que é o órgão supremo de decisão da Convenção, e compreende todos os seus Estados-membros, aprovou a Resolução Conf. 9,24 (Rev. COP14), em um conjunto de critérios biológicos e de comércio para ajudar a determinar se uma espécie devem ser incluídos nos Anexos I e II. Em cada reunião ordinária da CoP, as partes apresentarem propostas com base nesses critérios de alterar estes dois apêndices. Estas propostas de alteração são discutidas e, em seguida, submetida à votação.
Apêndice III
- Este apêndice contém espécies que são protegidas em pelo menos um país, que pediu às outras partes da CITES para dar assistência no controle do comércio. Alterações ao Anexo III seguem um processo distinto de alterações aos anexos I e II, já que cada partido tem o direito de alteração unilateral a ela.
Um espécime de uma espécie listados na CITES podem ser importados ou exportados (ou re-exportado) de um Estado parte da convenção somente se o documento adequado foi obtido e apresentado para o apuramento para o porto de entrada ou de saída. Há alguma variação das necessidades de um país para outro e é sempre necessário verificar as legislações nacionais que podem ser mais rigorosas, mas as condições básicas que se aplicam para os apêndices I, II e III são descritos abaixo.
Apêndice I
Uma licença de importação emitida pela Autoridade de Gestão do Estado de importação é necessária. Isso só pode ser emitido se o modelo não deve ser utilizado para fins principalmente comerciais e, se a importação será para fins que não sejam prejudiciais para a sobrevivência da espécie. No caso de um animal vivo ou planta, a autoridade científica deve considerar que o destinatário proposto está devidamente equipado para abrigar e cuidar dele.
Apêndice I
Uma licença de importação emitida pela Autoridade de Gestão do Estado de importação é necessária. Isso só pode ser emitido se o modelo não deve ser utilizado para fins principalmente comerciais e, se a importação será para fins que não sejam prejudiciais para a sobrevivência da espécie. No caso de um animal vivo ou planta, a autoridade científica deve considerar que o destinatário proposto está devidamente equipado para abrigar e cuidar dele.
Uma licença de exportação ou re-certificado emitido pela Autoridade de Gestão do Estado de exportação ou de reexportação também é necessária.
Uma licença de exportação só podem ser emitidos se o espécime foi obtido legalmente, o comércio não vai ser prejudicial para a sobrevivência da espécie, e uma licença de importação já tenha sido emitido.
Um certificado de reexportação apenas poderá ser emitida se o espécime foi importado, em conformidade com as disposições da Convenção e, no caso de um animal vivo ou planta, se uma autorização de importação foram emitidas.
No caso de um animal vivo ou planta, que deve ser preparado e enviado para minimizar qualquer risco de ferimentos, danos à saúde ou tratamento cruel.
Apêndice II
Uma licença de exportação ou re-certificado emitido pela Autoridade de Gestão do Estado de exportação ou reexportação é necessária.
Uma licença de exportação só podem ser emitidos se o espécime foi obtida legalmente e se a exportação não será prejudicial para a sobrevivência da espécie.
Um certificado de reexportação apenas poderá ser emitida se o espécime foi importado, em conformidade com a Convenção.
No caso de um animal vivo ou planta, que deve ser preparado e enviado para minimizar qualquer risco de ferimentos, danos à saúde ou tratamento cruel.
Nenhuma licença de importação é necessária a menos que exigido pela lei nacional.
No caso de espécies introduzidas a partir do mar, um certificado deve ser emitido pela Autoridade de Gestão do Estado em que os exemplares estão sendo trazidos, para as espécies listadas no Anexo I ou II. Para mais informações, consulte o texto da Convenção, o artigo III, n. º 5 do artigo IV, n. º 6.
Apêndice III
No caso do comércio de um Estado que incluía espécies constantes do Anexo III, uma licença de exportação emitida pela Autoridade de Gestão do Estado é necessária. Isso só pode ser emitido se o espécime foi obtida legalmente e, no caso de um animal vivo ou planta, se ele será preparado e enviado para minimizar qualquer risco de ferimentos, danos à saúde ou tratamento cruel.
No caso de exportação de qualquer outro Estado, um certificado de origem emitido pela sua autoridade de gestão é necessária.
No caso de reexportação, um certificado de reexportação emitidos pelo Estado de reexportação é necessário.
domingo, 20 de junho de 2010
Artigo Sobre Criação Seletiva na Passarinheiros&Cia Nro 58
Salvem Amigos Canaristas e Passarinheiros;
Tivemos a felicidade de ver nosso artigo aceito e publicado na revista Passarinheiros&Cia número 58. Este não é o nosso primeiro artigo publicado neste que é um dos melhores meios de divulgação das atividades passarinheiras. Entretanto consideramos um artigo importante pois é o fruto do trabalho de vários anos buscando explicar a seleção nas nossas criações. Recebemos vários elogios de criadores, principalmente por conseguir reunir quase tudo que aprendemos e apresentar em uma linguagem fácil e simples. Este artigo inicia uma série de artigos sobre genética e seleção, aplicada aos Canários-da-terra e suas mutações, que realizaremos em conjunto com a revista Passarinheiros&Cia.
Dizemos que este artigo é o fruto do trabalho de vários anos porque originou-se em um antigo projeto de escrever um livro sobre criação de pássaros nativos. Entretanto escrever e publicar um livro sobre nossa atividade pode ser muito difícil para quem não possui recursos para bancar as primeiras edições. Decidimos por estes motivos publica-lo em outro meio de divulgação, a excelente Revista do amigo Edilson Guarnieri. Desta forma este é um artigo que veio sendo escrito nos últimos 7 anos, tendo recebido varias alterações e complementos no decorrer dos anos.
Utilizamos vários conceitos de seleção que em base são aplicáveis a qualquer espécie animal e retratamos nele tudo que aprendemos nestes quase 40 anos de criação de varias espécies de animais. Entretanto não pretendemos que seja a palavra final e achamos que a cada ano teremos mais itens a acrescentar neste "rol"
de conhecimentos.
Saudações canaristas;
Fabio Paiva
Tivemos a felicidade de ver nosso artigo aceito e publicado na revista Passarinheiros&Cia número 58. Este não é o nosso primeiro artigo publicado neste que é um dos melhores meios de divulgação das atividades passarinheiras. Entretanto consideramos um artigo importante pois é o fruto do trabalho de vários anos buscando explicar a seleção nas nossas criações. Recebemos vários elogios de criadores, principalmente por conseguir reunir quase tudo que aprendemos e apresentar em uma linguagem fácil e simples. Este artigo inicia uma série de artigos sobre genética e seleção, aplicada aos Canários-da-terra e suas mutações, que realizaremos em conjunto com a revista Passarinheiros&Cia.
Dizemos que este artigo é o fruto do trabalho de vários anos porque originou-se em um antigo projeto de escrever um livro sobre criação de pássaros nativos. Entretanto escrever e publicar um livro sobre nossa atividade pode ser muito difícil para quem não possui recursos para bancar as primeiras edições. Decidimos por estes motivos publica-lo em outro meio de divulgação, a excelente Revista do amigo Edilson Guarnieri. Desta forma este é um artigo que veio sendo escrito nos últimos 7 anos, tendo recebido varias alterações e complementos no decorrer dos anos.
Utilizamos vários conceitos de seleção que em base são aplicáveis a qualquer espécie animal e retratamos nele tudo que aprendemos nestes quase 40 anos de criação de varias espécies de animais. Entretanto não pretendemos que seja a palavra final e achamos que a cada ano teremos mais itens a acrescentar neste "rol"
de conhecimentos.
Saudações canaristas;
Fabio Paiva
quarta-feira, 2 de junho de 2010
DNA Fingerprint, Exame de Paternidade e Certificação do Plantel
Salvem Amigos Canaristas;
Surgiu uma noticia que a UNIGEN está fazendo EXAMES de PATERNIDADE em CTs, alem dos já sabidos Bicudos e Curiós. Isso é uma grande notícia sai barato, e o criador paga uma ninharia anualmente para manter o banco na UNIGEN e para certificar cada filhote paga-se menos ainda.
Os exames de paternidade usuais, feitos quando alguém afirma ser filho de uma celebridade, ou mesmo de uma pessoa comum. São feitos coletando o sangue do filho e do pretenso pai, as vezes também da mãe. Essa coleta é feita em laboratório quando consensual ou se originada em demanda judicial é feita diante de testemunhas, depois lacrada e levada ao laboratório. Isto garante a “inviolabilidade” da amostra. O resultado é dado em laudo com um percentual da possibilidade desta pessoa ser filha da outra. Isto é feito analisando marcadores de DNA e é muito exato. Entretanto nada fica guardado e nem é armazenado o perfil genético, o chamado DNA FINGERPRINT, uma espécie de fotografia impressa do DNA, única para cada indivíduo, igual às impressões digitais e o padrão da retina. Este exame, feito a cada vez que enviamos as amostras, teria muito pouco valor para a criação de aves, pois como o criador faria a coleta e enviaria a identificação dos pais e dos filhotes, sem testemunhas, o resultado poderia ser facilmente manipulado.
Por outro lado o exame oferecido pela UNIGEN é de muito valor para criação pois contempla a montagem de um banco de perfis de DNA permanente (enquanto você pagar a anuidade é claro) de cada plantel. Assim tanto o criador pode mandar fazer o exame e entregar junto com o filhote. Bem como o(s) proprietário(s), podem repetir a qualquer momento o exame e ter a confirmação da filiação de seu pássaro. Além disto alguém que diz ter “sobrinhos”, irmãos ou outros parentes de um pássaro de linhagem consagrada, pode comprovar facilmente a origem afirmada. O criador, caso não quisesse aumentar o custo do filhote, não precisaria nem fazer a certificação dos filhotes. Montaria o seu banco de dados de reprodutores, e ofereceria ao adquirente a opção de certificar a paternidade indicando a certificadora onde está depositado o seu banco de DNA.
Ainda pensando em um futuro próximo, acho que o ideal seria a entrega ao criador da imagem deste DNA FINGERPRINT, ou algo semelhante, dos seus reprodutores junto com um selo de garantia da fidelidade das informações. O criador daria um pedigree com copias dos certificados dos pais, avos e etc.. da imagem do perfil genético aos compradores de seus filhotes. Caso o novo proprietário desejasse testar o filhote, bastaria enviar junto estas imagens com a amostra do DNA(sangue ou penas) do filhote ao laboratório de certificação, independente do laboratório certificador da origem.
Hoje parece que existem alguns itens técnicos envolvendo método, partidas de reagentes químicos e outros fatores que podem causar uma diferenciação nesta imagem do DNA FINGERPRINT, que dificulta um pouco a idéia de uma cédula de identidade genética permanente para ser usada de forma livre pelos criadores. Parece que o banco precisa ficar em um só laboratório que aplicando o mesmo método, mesmos reagentes, obtém imagens semelhantes dos MARCADORES GENÉTICOS e compara as imagens das amostras armazenadas certificando a filiação.
Divagando mais ainda, poderíamos pensar em milhares de usos para esta fotografia genética. A imagem do DNA FINGERPRINT junto com o selo de certificação. Seria como comprar um pássaro com um “Código de Barras”. Uma anilha totalmente inviolável e intransferível. Além disto poderíamos montar o tão sonhado STUD BOOK dos nossos CTs, montar os pedigrees com a imagem do DNA FINGERPRINT de várias gerações, pesquisar os padrões de barras repetidos em pássaros com resultados semelhantes e assim por diante.
Com o tempo estaríamos tão treinados em olhar os “códigos de barras” genéticos dos nossos canários que alguns de nós poderiam avaliar as imagens de dois Certificados de DNA e confirmar se dois pássaros eram irmãos ou até mesmo parentes só por comparação dos padrões. Vamos torcer pelo desenvolvimento da técnica e em breve chegaremos a esta anilha de DNA, vitalícia e insubstituível.
Saudações Canaristas.
Fabio Paiva de Sousa Jr.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A BANCADA DOS PASSARINHEIROS
Salvem Amigos Passarinheiros;
Estamos acompanhando os processos para formação da bancada dos passarinheiros. Foram realizados nos dias 18 e 19/05 reuniões e audiencias para encaminhar a formação do que foi chamado de "COMITÊ DOS PASSARINHEIROS". Este comitê é formado pelos principais dirigentes de entidades ornitofilicas e por deputados federais dos estados com maior representatividade de passarinheiros.
Estamos acompanhando os processos para formação da bancada dos passarinheiros. Foram realizados nos dias 18 e 19/05 reuniões e audiencias para encaminhar a formação do que foi chamado de "COMITÊ DOS PASSARINHEIROS". Este comitê é formado pelos principais dirigentes de entidades ornitofilicas e por deputados federais dos estados com maior representatividade de passarinheiros.
Representantes e deputados reunidos no Gabinete do Dep. Marquezelli.
Os deputados apertaram a mão dos passarinheiros em sinal de engajamento nesta ação que deve viabilizar a regulamentação do segmento amador e comercial. Após a reunião no gabinete do deputado os deputados foram recebidos Pelo Presidente do IBAMA ao qual entregaram documento com as necessidades do nosso segmento.
Deputado Marquezelli(SP), Dep. Valdir Colatto(SC), Pres. do IBAMA e Dep. Micheletto(PR)
Saudações Canaristas;
Fabio Paiva
domingo, 9 de maio de 2010
Um Criadouro Prático de CTs (dicas de um criador com pouco tempo)
Salvem Amigos canaristas;
Na ultima temporada recomecei a criar canarios e a intenção era criar com uma ou duas fêmeas. Bom sabe como é me envolvi nas mutações e fui aumentando as femeas e cheguei a 6. Bom consegui dar conta do recado mas a infraestrutura não funcionou. Viajo bastante e casualmente no meio da temporada apareceram varias viagens a trabalho. A estrutura que eu tinha não facilitava a gala e a minha esposa, apesar de boa vontade, não sabe manejar as gaiolas.
Assim decidi montar uma estrutura para criação mais inteligente e que facilitasse o momento de entrada e saída do macho. Verifiquei que o número de femeas que consigo tratar está entre 4 e 6 fêmeas, o que se conseguirmos um rendimento médio de 5 filhotes por fêmea atinge de 20 a 30 filhotes por ano, o que é mais do que suficiente para obter os resultados que desejo.
Mas voltando ao criadouro, verifiquei que as gaiolas para criar canários da terra não precisam ser tão grandes quanto pensamos. Minhas canárias haviam cumprido todo o processo de reprodução em gaiolas um pouco maior que uma piracicaba nro.4. Assim projetei o criadouro levando o tamanho das duas gaiolas que já tinha como solução(43(A)x43(C)x30(L)).
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Gaiola de fêmeas com porta dianteira na esquerda para ninho e passadores laterais para entrada do macho.
Gaiola de fêmeas com porta dianteira na direita.
Gaiola dos machos com dois passadores laterais, na época de cria mudamos a posição dos poleiros deixando próximos dos passadores laterais dos dois lados.
Montamos o criadouro com 9 gaiolas, 3 de machos e 6 de fêmeas com as portas dos ninhos em posições opostas. Assim as gaiolas de machos ficam em posição central e as das fêmeas em posições laterais a elas três a três.
Duas das três linhas de gaiolas criadeiras, com macho no centro e uma fêmea de cada lado.
Para fixação das gaiolas, optei por suportes de parede ao invés das tradicionais prateleiras. Isto se deve ao fato de quando entrar na temporada de cria manterei as três gaiolas da linha com os passadores abertos e apenas a divisoria de eucatex mantendo cada pássaro em sua gaiola. Assim quando chegar o momento da gala, mesmo que eu não esteja em casa, qualquer um pode tirar a divisoria sem risco de deslizar a gaiola para o lado e deixar algum pássaro fugir. As gaiolas ficam fixas no seu lugar, penduradas nos ganchos dos suportes.
Suporte de gaiolas, mantem a gaiola a 10 cm da parede. Ao lado detalhe do suporte com gancho de pendurar.
Cada gaiola possui uma grade no fundo, mantendo as fezes afastadas 6cm dos pássaros.
Equipamentos de cada gaiola: Comedouro automático K-13, poleiro plástico raiado de 10mm de diâmetro, Banheira grande, bebedouro Kotori e pote de grit e minerais da Mr.Pet.
Comedouro Automático K-13 posicionado na janela dianteira da gaiola. Detalhe da posição do poleiro plástico
Posição do poleiro plástico na porta do ninho.
Plaquinha de identificação feita com chaveiro comercial, destes usados pelas imobiliárias para casas de aluguel e dois lacres plásticos para fixar.
Divisória feita com eucatex e dois parafusos com duas porcas e duas arruelas fixos na parte superior para pendurar nas gaiolas.
Com estas montagens criamos a infraestrutura necessária. Colocamos o criadouro para funcionar em uma peça de 2,5m por 1,6 com uma janela basculante. Apesar do sol não entrar diretamente na peça a iluminação no verão é suficiente para criar algas verdes nos bebedouros. Entretanto no inicio do outono começamos a achar que a iluminação, principalmente em dias de chuva pode não ser suficiente. Colocamos uma lâmpada fluorescente compacta de 6500k e de 36w, ligada a um timer que aciona em dois intervalos das 08:30 as 11:00 e das 14:30 as 17:00 hrs. A lâmpada fica posicionada na parede da frente das gaiolas no alto do lado oposto a janela basculante.
Fluorescente compacta de 36w e 6500k, ligada ao timer.
Posição da janela basculante com a luz das 12: hrs do outono.
Bom amigos canaristas, é isto. Agora só resta esperar a temporada chegar. Nomomento só temos penas para varrer e vitaminicos e suplementos para servir.
Agradeço ao amigo José Avelino, da Loja Pássaros em Porto Alegre por obter os equipamentos e aturar as minhas exigências relativas a qualidade dos mesmos. Agradeço também ao atendimento perfeito do Site Passaros e Cia onde busquei os poleiros plásticos que chegaram em tempo record. Sem esquecer da fábrica de gaiolas Ari & Filhos de Alvorada que atendeu as minhas solicitações na confecção das gaiolas personalizadas.
Saudações canaristas.
Fabio Paiva de Sousa Jr.
domingo, 11 de abril de 2010
O APARECIMENTO DE GENES MUTADOS E SEU DESTINO
Salvem amigos Canaristas, pesquisando para um novo Artigo sobre História das Mutações de Canários da Terra. localizei um texto excelente sobre a perpetuação de mutações publicado no AIO e traduzido para o Atualidades Ornitológicas em Abril de 1991. Boa leitura.
O APARECIMENTO DE GENES MUTADOS E SEU DESTINO
Maurice Pomarede - França
Sabemos que os caracteres hereditários de um indivíduo são comandados por genes cujo conjunto é o genótipo. Os genes estão sobre os cromossomos e como esses provêm do pai e da mãe, a cada caráter correspondem, muito geralmente, dois genes que ocupam a mesma posição sobre o cromossomo e que são chamados alelos. Esses alelos podem ser parecidos ou diferentes. Se eles são parecidos, o indivíduo é homozigoto para o caráter que corresponde aos dois alelos; se eles são diferentes, é chamado de heterozigoto.
O macho das aves tendo dois cromossomos sexuais x e a fêmea só um, os genes portados sobre o cromossomo x da fêmea estão presentes num só exemplar. Em todos os outros casos, há necessariamente dois alelos para cada caráter do indivíduo.
Distinguem-se três tipos de genes. Os genes dominantes manifestam-se (diz-se que eles se exprimem) desde que estejam presentes. Os genes recessivos só podem ser expressos apenas se estiverem sós ou ainda em duplo exemplar. Chamam-se genes co- dominantes os genes alelos que se exprimem ao mesmo tempo; deles resulta um caráter intermediário; diz-se que existe co-dominância ou dominância intermediária.
O aspecto dum indivíduo, ou fenótipo, resulta de seus genes dominantes e co-dominantes e também de seus genes recessivos presentes em duplo exemplar. Os genes que não se exprimem são chamados ocultos; este é o caso dos genes recessivos que são dominados ou inibidos pelo alelo.
APARECIMENTO DE GENES MUTADOS
Quando uma célula se divide, seus cromossomos se partem ao comprido, de maneira a dar cromossomos-filhos perfeitamente idênticos. Mas acidentes podem ocorrer uma vez que a operação é delicada. Estes acidentes se traduzem freqüentemente pela alteração de um gene; ele se encontra então substituído por um outro tendo a mesma posição, porém tendo uma ação diferente; este novo gene é o alelo mutado do gene inicial.
O que ele vai causar? Se o alelo mutado é dominante, um caráter novo aparece, tendo-se então uma mutação, isto é, um indivíduo novo, que poderá ser diferente em sua cor, sua forma, etc. Se o alelo mutado é co-dominante, um caráter será modificado e, por exemplo, uma mistura de vermelho e de amarelo dará uma cor alaranjada. Porém, se o alelo mutado for recessivo, ele não passará nada e o indivíduo será somente portador de um caráter novo sem expressar-se enquanto o gene inicial o domine.
Este alelo mutado poderá passar de uma geração para outra sem se exprimir. Somente no momento em que dois indivíduos portadores do alelo recessivo se cruzarem é que a mutação se manifestará. O aparecimento de um indivíduo novo pode então ter lugar logo após a mutação de um gene.
A probabilidade para um gene ser mutado em seu alelo é muito pequena. Ela depende da posição do gene sobre o cromossomo; alguns genes são mutados mais freqüentemente que outros (1 para 100.000) e, por conseguinte, algumas mutações são mais freqüentes que outras, como o desaparecimento local da melanina ou sua mudança por uma melanina marrom. Porém, como os genes são mais numerosos, há um número bastante elevado de indivíduos que nascem com um gene mutado; este gene não é o mesmo para todos. Em laboratório, tem-se constatado que na drosófila, a proporção de indivíduos que nascem com um gene mutado situa-se entre 2 e 3%. Por conseguinte, há numa população um número elevado de indivíduos heterozigotos para um grande número de caracteres..
NA NATUREZA, as populações são muito importantes, feitas de milhares ou milhões de aves. Quando um gene A é mutado em seu alelo a, tem-se um indivíduo Aa que cruzando com um indivíduo AA vai dar 50% de indivíduos Aa e 50% de indivíduos AA. Mas os indivíduos Aa têm grande chance de reencontrar ainda indivíduos AA. Finalmente, o número de indivíduos Aa vai aumentar pouco a pouco, depois cada vez mais lentamente, em seguida o número de AA diminui. Resulta que quando um alelo mutado aparece ele se distribui na população e pode atender teoricamente 50% dos indivíduos. Como é o mesmo para todos os alelos mutados, pode-se dizer que numa população há apenas genótipos diferentes, a população sendo então heterozigota para a maior parte dos caracteres.. Mas como todos os indivíduos pertencem à mesma espécie, eles têm, em comum, os genes dominantes que comandam o fenótipo da espécie.
Pode acontecer excepcionalmente que dois indivíduos Aa se cruzem; isto vai fazer aparecer uns mutantes aa (25% de aa, 25% de AA e 50% Aa). Os mutantes aa podem fazer linhagem apenas se eles se cruzarem com indivíduos Aa ou aa. Porém, como os indivíduos AA são os mais numerosos e freqüentemente a seleção natural os elimina, eles desaparecem.
É assim que, de tempos em tempos, aparecem na natureza uns indivíduos albinos. Eles desaparecem rápido, quer vítima de predadores, quer porque eles são afastados da população silvestre sem ter procriado.
NA CRIAÇÃO, as populações são pouco numerosas e a consangüinidade aí é freqüente. As aves provêm geralmente de um pequeno número de aves importadas; além disso, para constituir uma linhagem e atender ao padrão, o criador cruza freqüentemente aves aparentadas.
A consangüinidade aumenta consideravelmente as chances de um acasalamento entre dois indivíduos heterozigotos Aa, dando uns mutantes aa, que o criador poderá acasalar com seus pais e assim obter outros mutantes aa.
Enquanto que na natureza o aparecimento de um alelo mutado provoca um aumento do número de heterozigotos Aa, na criação se observa o aparecimento e o aumento dos indivíduos aa e, por conseguinte, o aumento do número de homozigotos.
A análise de uma F2 mostra que na criação, o aumento do número de mutantes se faz às custas do número de heterozigotos Aa. Com efeito, o cruzamento AA x Aa dá indivíduos AA e Aa que se podem cruzar de muitas maneiras diferentes:
AA= 25% 50% 50% 100% = 225
Aa= 50% 50% 50% = 150
aa= 25% = 25 indivíduos sobre 400
Cada vez que dois alelos diferentes são trocados por dois alelos idênticos, o número total de diferentes diminui.
A consangüinidade ocasiona, pois, um empobrecimento genético.
Este empobrecimento tem conseqüências sobre a saúde das aves. A resistência às doenças depende de um conjunto de genes (sistema imunitário HLA) e ela é favorecida por um amplo leque de genes diferentes. Quando um indivíduo torna-se homozigoto sua resistência diminui. A perda de genes de controle pode provocar uma má qualidade da pena, pode também aí haver diminuição do tamanho.
Uma outra conseqüência concerne à possibilidade de mutações. Ela ocorre muito mais numa criação de indivíduos heterozigotos. Pode-se então esperar-se obter numerosas mutações diferentes, graças aos cruzamentos em consangüinidade.
CONSEQÜÊNCIAS
A criação de um número pouco importante de aves, em consangüinidade, permite o aparecimento de mutações correspondentes aos genes mutados presentes na criação. Porém o empobrecimento genético que se produz enfraquece a raça e sua capacidade de dar aves com caracteres novos ou melhorados.
É, pois, indispensável se introduzir, de tempos em tempos, novas aves na criação. Para que estas produzam genes novos, devem provir de criações tão afastadas quanto possível ou, ainda, de uma população silvestre.
As populações silvestres, muito ricas em heterozigotos, são uma importante fonte de mutações, porém, para as ver aparecer, é preciso criar em consangüinidade as aves tiradas da natureza e selecioná-las. Na falta de se dispor de uma população silvestre, é preciso se utilizar de um número elevado de aves, deixando-as se acasalar com toda a liberdade; isso vai provocar um grande número de heterozigotos graças ao aparecimento natural de alelos mutados. A seguir, deve-se tirá- las daquela população maior e criá-las em consangüinidade.
No momento em que um país tenha importantes criações (várias dezenas de milhares de aves) e de numerosos criadores que comprem aves nessas criações, todas as condições estão preenchidas para que numerosas mutações e muitas variedades novas apareçam. Atualmente a Bélgica e a Holanda são celeiros de mutações novas, especialmente de diamante de Gould, diamante mandarim, codorna da China, etc. Ocorreu o mesmo na França para o periquito ondulado onde, em 1914, um só criadouro (Bastide) tinha mais de 120.000 aves.
O conhecimento da genética é indispensável para conservar e tirar o melhor proveito das mutações, criando-se novas variedades.
©AIO-17
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